Conceição Evaristo e Eliane Potiguara:

uma análise comparatista feminista

Autores

  • Davina Marques IFSP - Hortolândia

Palavras-chave:

literatura afro-brasileira, literatura indígena, feminismo, comparatismo

Resumo

Sala https://cole.alb.org.br/mod/bigbluebuttonbn/view.php?id=98 Dia e horário 4 16h-17:30

Nos últimos anos, e principalmente a partir da legislação que responsabiliza profissionais da educação a se envolverem e divulgarem em seus programas de ensino a história e a cultura dos povos africanos e dos povos indígenas (as leis 10.639/03 e 11.645/08), temos acompanhado a publicação de uma quantidade enorme de materiais e estudos. Além de trabalhos que buscam fortalecer novos conceitos de literatura, como o de literatura afro-brasileira (DUARTE, 2014) ou indígena (MUNDURUKU, 2011; 2018), temos visto a ampliação de publicações de autores e autoras negr@s, afro-brasileir@s e indígenas.
Este trabalho, além de trazer duas autoras, Conceição Evaristo e Eliane Potiguara, busca provocar a leitura de seus escritos a partir de um olhar e de uma perspectiva feminista, mais radicalmente ainda, a partir de uma teoria feminista de viés negro, que será levada à questão indígena. Assim, exploraremos dois textos dessas autoras a partir de uma incursão pelo texto de bell hooks "Mulheres negras: moldando a teoria feminista" (HOOKS, 2000; 2015), cuja perspectiva feminista negra nos mostra como o feminismo foi, de início, pautado pelas questões da mulher branca, sempre em comparação ao homem branco, sem preocupações de raça e de classe social, silenciando a voz das mulheres negras, sem trazer à tona questões do contexto histórico e político. A questão feminista não é apenas questão de gênero, alerta-nos bell hooks.
Assim, a partir do conto "Olhos D´água", de Conceição Evaristo, e do capítulo 3 do livro "Metade cara, metade máscara", de Eliane Potiguara, faremos uma discussão das potências libertadoras dessa produção que pode ser qualificada, nos dizeres de Daniel Munduruku, como "[...] comprometida com a conscientização da sociedade brasileira sobre os valores que os povos originários carregam consigo apesar dos cinco séculos de colonização" (MUNDURUKU, 2018).
Referências
DUARTE, Eduardo de Assis (Org.). Literatura afro-brasileira: 100 autores do século XVIII ao XX. Rio de Janeiro: Pallas, 2014.
EVARISTO, Conceição. Olhos d´água. Rio de Janeiro: Pallas, 2016.
HOOKS, Bell. Mulheres negras: moldando a teoria feminista. Tradução de Roberto Cataldo Costa. Revisão de Flávia Biroli. Rev. Bras. Ciênc. Polít., Brasília, n. 16, p. 193-210, abr. 2015. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-33522015000200193&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 17 fev. 2021.
__. Feminist theory: from margin to center. Cambridge, MA: South End Press, 2000.
MUNDURUKU, Daniel. A literatura indígena não é subalterna. Conexões Itaú Cultural, 2018. Disponível em: https://www.itaucultural.org.br/a-literatura-indigena-nao-e-subalterna. Acesso em: 17 fev. 2021.
__. Literatura versus literatura indígena: consenso? Mundurukando, 2011. Disponível em: https://danielmunduruku.blogspot.com/2011/12/literatura-versus-literatura-indigena.html. Acesso em: 17 fev. 2021.
POTIGUARA, Eliane. Metade cara, metade máscara. São Paulo: Uka Editorial, 2018.

Publicado

2021-07-29

Como Citar

MARQUES, D. Conceição Evaristo e Eliane Potiguara: : uma análise comparatista feminista. Caderno de Resumos do Congresso de Leitura do Brasil, [S. l.], v. 1, n. 1, 2021. Disponível em: https://nasnuv.com/ojs2/index.php/resumoscole/article/view/374. Acesso em: 18 jan. 2022.